terça-feira, 28 de abril de 2026

lula e ladrão

O TEXTO É LONGO, Mas vale a pena ler, para saber do que essa esquerda é capaz:

Mantega e Toffoli fraudaram concurso que nomeou Messias procurador da Fazenda

Publicado em 20 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Reprovado no concurso, Messias foi “nomeado” assim mesmo

Carlos Newton

Em nome da liberdade de expressão, há alguns dias recebemos e publicamos na Tribuna da Internet um fortíssimo editorial da Gazeta do Povo contra Jorge Messias, afirmando que a aprovação de seu nome para ministro do Supremo Tribunal Federal deve ser considerada “uma traição à Pátria”.

Ao nosso ver, o artigo da Gazeta do Povo estaria exagerando nas críticas, porque Jorge Messias aparentemente não é melhor nem pior do que outros supostos “juristas” que compõem hoje o STF, onde é cada vez difícil vislumbrar a exigência constitucional de notório saber e reputação ilibada.

GRAVE DENÚNCIA – E agora, na reta de chegada da ascensão do Messias ao Supremo, a Tribuna da Internet recebeu uma grave denúncia contra ele e saiu em campo para investigar em profundidade a trajetória vitoriosa do “petista da vez”, que o presidente Lula da Silva resolveu nomear ao Supremo, com chances absolutas de aprovação pelo Senado.

A apuração transformou-se em enorme surpresa, ao revelar que Jorge Messias teve fraudado seu ingresso no serviço público em 2007 e está envolvido em sucessão de crimes, como Fraude em Certames de Interesse Público (art. 311-A), Usurpação de Função Pública (art. 328) e Falsidade Ideológica (art. 299), que inclui falsificação de dados biográficos em seu currículo.

E tudo isso é absolutamente transparente com as provas que a Tribuna obteve, todas baseadas em documentos públicos federais.

HISTÓRICO – Jorge Messias formou-se em Direito em 2003, na Universidade Federal de Pernambuco. Três anos depois, sem qualquer experiência forense, inscreveu-se no concurso para procurador da Fazenda Nacional, cuja prova final foi realizada em 28 de outubro de 2007.

Havia milhares de inscritos, porque se tratava de um concurso nacional de provas e títulos, para preenchimento de 250 vagas. As chances do jovem Jorge Messias eram mínimas, devido à inexperiência como advogado e por não ter títulos à exibição, num concurso cujas questões abrangiam Direito Constitucional, Tributário, Financeiro, Econômico, Administrativo, Internacional, Comercial, Civil, Processual Civil, Penal, Processual Penal, Trabalho, Processual do Trabalho e Previdenciário.

Sem mestrado, doutorado e pós-graduação, sem haver publicado ensaios nem obras, e também sem experiência no magistério jurídico, o candidato Jorge Messias, que tinha então apenas 26 anos, jamais havia atuado em advocacia, pois seus currículos assinalam que no período de 2002 a 2006 ele trabalhou como “técnico bancário” na Caixa Econômica Federal, em Recife, e simultaneamente como “gerente” do Teatro Marrocos.

CONCURSO ANULADO – A primeira prova objetiva, com cinco horas de duração, realizou-se em 2 de setembro de 2007, mas foi anulada no dia 20 de setembro pelo Edital nº 90 da Escola de Administração Fazendária (ESAF), que marcou a nova prova para 28 de outubro.

Assinam o edital de anulação o presidente do Conselho Superior da AGU, Evandro Costa Gama; a procuradora-geral da Fazenda, Rosângela Silveira de Oliveira; o procurador-geral da União, Luis Henrique Martins dos Anjos; o consultor-geral da União, Ronaldo Jorge Araújo Vieira Jr.; o corregedor-geral da Advocacia da União, Aldemario Araújo Castro; a representante da carreira de Advogado da União, Tania Patricia de Lara Vaz; o representante da carreira do Procurador da Fazenda Nacional, José Valter Toledo Filho; e a diretora-geral da ESAF (Escola de Administração Fazendária), Maria Cristina MacDowell Dourado de Azevedo.

O edital foi publicado no Diário Oficial da União, de 24 de setembro de 2007, Seção 3.

BRECHA PARA FRAUDE – Essa anulação da prova do concurso público foi exatamente a brecha que possibilitou a fraude.

Numa rapidez impressionante, nove dias depois da realização da prova final, que ainda nem tinha sido corrigida, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o ministro da AGU, Dias Toffoli, resolveram fazer nomeações ilegais, desprezando a suspensão da validade do concurso e descumprindo a Constituição (Art. 37, inciso IV) e a jurisprudência do Supremo, que determinam nomeação prioritária pela ordem de classificação.

Foi assim, sem a menor hesitação, que Mantega e Toffoli nomearam ilegalmente dezenas de novos procuradores da Fazenda – entre eles, o inexperiente Jorge Messias.

PORTARIA ILEGAL – Essas estranhas, apressadas e irregulares nomeações foram autorizadas numa Portaria Conjunta assinada pelos dois ministros em 6 de novembro de 2007, antes mesmo de serem corrigidas as provas e avaliados os títulos, repita-se.

Aliás, a divulgação da lista dos aprovados só ocorreria no Diário Oficial em 1º de julho de 2008, quase nove meses depois das nomeações determinadas por Mantega e Toffoli, que não respeitaram a ordem de classificação.

Obviamente, na forma da lei, nenhum candidato poderia ser nomeado antes da obrigatória publicação da lista de aprovados no Diário Oficial da União.

FALSA JUSTIFICATIVA – Ao cometer a fraude, Mantega e Toffoli tiveram de “inventar” uma justificativa para nomear essa lista de advogados ligados ao PT, que tinham fracassado na primeira prova anulada e sabiam não ter chance na prova final. Um desses advogados protegidos pelo governo petista era justamente o pernambucano Jorge Rodrigo Araújo Messias.

Na Portaria Conjunta, Mantega e Toffoli decidem “NOMEAR, para cargos efetivos de Procurador da Fazenda Nacional de 2ª Categoria, os candidatos aprovados e classificados no referido concurso público, que requereram sua recolocação no final da lista de aprovados, relacionados em Anexo. ”

Como ocorre na maioria dos atos cotidianos de Mantega e Toffoli, a justificativa não faz o menor sentido. Ora, se esses candidatos petistas já estavam “aprovados e classificados”, por que iriam requerer “sua recolocação no final da lista de aprovados”?

ERROS GROSSEIROS – O pequeno texto de justificativa contém outros erros grosseiros. O principal deles é que, se esses candidatos realmente tivessem solicitado entrar “no final da lista de aprovados”, jamais poderiam ser nomeados, porque à frente deles havia exatos 1.148 concorrentes, sendo 265 “aprovados/classificados” e 883 “aprovados/não-classificados”, segundo a longa lista publicada no Diário Oficial de 1º de julho de 2008.

Este Edital da ESAF que publicou a verdadeira lista cita um a um os 1.148 aprovados e esclarece que os demais, cujos nomes não contam nas duas listas, “são considerados reprovados”.

Entre esses milhares de “reprovados” estava Jorge Messias, porque seu nome não aparece entre os 1.148 “aprovados-classificados” ou “aprovados/não-classificados”.

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PS 1 – Como se vê, a nomeação de Messias para procurador da Fazenda Nacional foi uma fraude monumental, que está impune até hoje e vai possibilitar na digníssima Suprema Corte a posse de um falsário de carteira assinada, digamos assim.

PS 2 – O assunto é apaixonante e voltaremos a ele amanhã, mostrando mais detalhes da fraude cometida por Mantega e Toffoli, assim como as ilegalidades de Jorge Messias, que jamais poderá ser considerado um advogado acima de qualquer suspeita. No entanto, mesmo com essa biografia execrável, ele deverá ser o próximo ministro do Supremo, segundo os prognósticos de toda a mídia. (CN)

domingo, 5 de abril de 2026

Aristide

》Boris III da Bulgária: o rei que desobedeceu ao mal

No meio do caos da Segunda Guerra Mundial, a Bulgária se mostrou aliada do regime nazi. As bandeiras com a suástica ondavam nas varandas e os tratados assinados com Berlim pareciam selar a sua lealdade. Mas por trás dessa fachada de obediência, um rei calado escondia algo mais poderoso do que qualquer arma: uma consciência viva.

Seu nome era Boris III, um monarca raro. Não procurava glória nem expansão; preferia floresta, ar da montanha e conversas sinceras com camponeses. Governou um pequeno país no meio de um continente devorado por gigantes.

Em 1943, uma ordem veio de Berlim: deportar os judeus búlgaros para os campos de concentração. Os trens já estavam à espera, as listas estavam escritas e os alemães exigiam cumprimento imediato. Mas algo inesperado aconteceu: o povo búlgaro recusou. Bispos, professores, parlamentares e cidadãos comuns levantaram a voz em defesa dos seus vizinhos.

O rei ouviu esse clamor e decidiu enfrentar Hitler. Convocou os diplomatas alemães e pronunciou uma frase que faria a diferença entre a barbárie e a humanidade:

> “A Bulgária não tem judeus para deportar.
Tem cidadãos búlgaros. ”

Aquelas palavras pararam os comboios. Quarenta e oito mil vidas foram salvas graças a uma desobediência moral que pode custar a sua.

Pouco depois, em 28 de agosto de 1943, Boris foi convocado para Berlim. Voltou doente e morreu dez dias depois. A versão oficial falou de ataque cardíaco; muitos suspeitaram de envenenamento.

O rei que não procurou poder nem fama escolheu algo mais difícil: não obedecer ao mal.
Seu gesto silencioso ficou como um dos atos mais corajosos da guerra.

Porque, às vezes, a verdadeira grandeza não está em conquistar impérios.
mas em salvar vidas.

Lula é ladrão

“Os brasileiros não aguentam mais Lula.” A fala é da deputada norte-americana María Elvira Salazar, filha de exilados do regime comunista cubano. Ela fez novas acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de apostar que ele será derrotado nas eleições presidenciais de outubro, caso decida concorrer à reeleição de um quarto mandato. 

A congressista alega que Lula é alinhado a “ditadores da América Latina”, defende criminosos e governa com uma “cartilha” que envolve censura e perseguição a opositores. Salazar também critica o que chamou de tentativa de silenciar vozes e fechar plataformas digitais, afirmando que o governo enquadra todas essas ações como defesa da democracia. 

“Os brasileiros estão cansados de Lula. Ele ficou ao lado de ditadores da América Latina, defendeu criminosos e agora governa com a mesma cartilha, que silencia vozes, fecha plataformas e persegue oponentes. Ele chama isso de ‘defender a democracia’. O povo do Brasil sabe a verdade”, declarou a parlamentar. 

“O Brasil não vai retroceder. A liberdade vai vencer, e Lula será derrotado nas urnas”, emendou. A congressista externou ainda que o governo Lula não segue os princípios da democracia, mas do autoritarismo em larga escala.

Jornalista premiada e atuante na Câmara dos EUA desde 2021, María representa o 27º distrito da Flórida. Publicamente, ficou conhecida por confrontar ditadores latino-americanos, incluindo Fidel Castro, Augusto Pinochet e Nicolás Maduro. Salazar é hoje presidente do Subcomitê do Hemisfério Ocidental, que integra o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA, e atua contra regimes autoritários na América Latina. 

Salazar é coautora do projeto de lei “No Censors on Our Shores Act”, que busca impedir que agentes públicos estrangeiros que violem a liberdade de expressão de cidadãos americanos entrem ou permaneçam nos Estados Unidos. 

O texto foi elaborado especialmente após as ações de Alexandre de Moraes contra a plataforma X/Twitter, de Elon Musk, no Brasil. O projeto está na lista para ser votado pelo plenário da Câmara dos EUA, após ter sido aprovado pelo Comitê do Judiciário.

Bulgarie Burkina de la

》Boris III da Bulgária: o rei que desobedeceu ao mal

No meio do caos da Segunda Guerra Mundial, a Bulgária se mostrou aliada do regime nazi. As bandeiras com a suástica ondavam nas varandas e os tratados assinados com Berlim pareciam selar a sua lealdade. Mas por trás dessa fachada de obediência, um rei calado escondia algo mais poderoso do que qualquer arma: uma consciência viva.

Seu nome era Boris III, um monarca raro. Não procurava glória nem expansão; preferia floresta, ar da montanha e conversas sinceras com camponeses. Governou um pequeno país no meio de um continente devorado por gigantes.

Em 1943, uma ordem veio de Berlim: deportar os judeus búlgaros para os campos de concentração. Os trens já estavam à espera, as listas estavam escritas e os alemães exigiam cumprimento imediato. Mas algo inesperado aconteceu: o povo búlgaro recusou. Bispos, professores, parlamentares e cidadãos comuns levantaram a voz em defesa dos seus vizinhos.

O rei ouviu esse clamor e decidiu enfrentar Hitler. Convocou os diplomatas alemães e pronunciou uma frase que faria a diferença entre a barbárie e a humanidade:

> “A Bulgária não tem judeus para deportar.
Tem cidadãos búlgaros. ”

Aquelas palavras pararam os comboios. Quarenta e oito mil vidas foram salvas graças a uma desobediência moral que pode custar a sua.

Pouco depois, em 28 de agosto de 1943, Boris foi convocado para Berlim. Voltou doente e morreu dez dias depois. A versão oficial falou de ataque cardíaco; muitos suspeitaram de envenenamento.

O rei que não procurou poder nem fama escolheu algo mais difícil: não obedecer ao mal.
Seu gesto silencioso ficou como um dos atos mais corajosos da guerra.

Porque, às vezes, a verdadeira grandeza não está em conquistar impérios.
mas em salvar vidas.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

criança feliz

Ela tinha oito anos quando deixou de ser filha e passou a ser aposta.
Não em metáfora.
Em valor real, lançado sobre uma mesa suja de cartas.

O pai perdeu a última rodada e, com ela, perdeu a menina.

A irmã mais velha tinha três horas.
Três horas antes que um homem viesse buscá-la como quem reclama uma posse.

Deadwood, Território de Dakota, 1877.

Thomas Garrett já tinha perdido tudo para a bebida, para o jogo e para o próprio vazio. No salão Gem, sem dinheiro e sem saída, aceitou a proposta do homem que vencera a mão — um empreiteiro conhecido por levar crianças para acampamentos mineiros.

Quitar a dívida.
Entregar a filha mais nova.

A pena tremeu, mas assinou.
E naquele gesto condenou uma criança de oito anos a um lugar onde mãos pequenas sangravam separando minério, e muitos não sobreviviam até os quinze.

Quando Sarah Garrett, com quinze anos, chegou em casa depois de um dia inteiro lavando roupa e soube do que o pai fizera, ela não gritou.
Não chorou.
Não caiu.

Ficou quieta.
Deixou o peso da realidade pousar.
E pensou.

Três horas.
Uma chance frágil.
E algo que o pai nunca teve: clareza.

Sarah sabia que o contrato existia para parecer legal. Sabia também que a cidade tinha um juiz recém-nomeado que afirmara publicamente: nenhuma criança pode pagar a dívida de um adulto.

Antes do amanhecer, enquanto Deadwood ainda dormia, ela caminhou até o tribunal.

O juiz não estava.
O secretário, sim.

Ela contou tudo com a voz trêmula, mas firme. Expôs cláusula por cláusula, explicou a ilegalidade, denunciou a servidão por dívida e o estado de embriaguez do pai no momento da assinatura.

O secretário ouviu.
E acordou o juiz.

Ao meio-dia, quando o homem voltou para buscar Emma, encontrou Sarah na porta segurando um documento com selo judicial.

Ele recuou.

Naquela tarde, o contrato foi anulado. O juiz declarou a transação ilegal e retirou Thomas Garrett de qualquer autoridade sobre as filhas. Em seguida, fez o impensável: reconheceu Sarah, quinze anos, como tutora provisória da irmã.

Mas a vitória não trouxe conforto.

Duas meninas.
Sem casa.
Sem pais.
Sem dinheiro.

Sarah bateu a portas, ofereceu trabalho duro em troca de teto e comida. Quatro recusaram. Uma viúva aceitou.

Por três anos, Sarah trabalhou dezesseis horas por dia. Guardou cada moeda. Dormiu pouco. Não reclamou.
Até abrir a própria lavanderia.
Depois, comprar o prédio.
Depois, empregar mulheres e pagar salários justos.

Emma estudou. Cresceu. Tornou-se professora. Depois diretora. Depois defensora das leis contra o trabalho infantil.

Sarah nunca se casou.
“Já criei uma menina”, dizia. “E fiz melhor do que muitos.”

Quando morreu, chamaram-na de empresária.

Mas a verdade era outra.

Ela foi uma garota de quinze anos que, com um livro, uma mente lúcida e três horas, salvou a irmã — e transformou uma tragédia em legado.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Antônio Russo

Em outubro de 1917, um navio de passageiros que levava imigrantes italianos rumo a Nova York foi apanhado por uma tempestade violenta no Atlântico. Entre eles estavam Antonio Russo, carpinteiro de 28 anos, e sua filha Maria, de apenas cinco.

A esposa de Antonio havia m0rrido no parto dois anos antes. A América era sua última esperança: fugir da pobreza e dar à filha um futuro que a Itália já não oferecia.

Por volta das duas da manhã, ondas gigantescas romperam o convés. A água invadiu os compartimentos inferiores, onde dormiam os passageiros da terceira classe. O navio começou a adernar. Gritos tomaram os corredores. Pessoas se empurravam, tropeçavam, caíam, tentando alcançar as escadas.

Antonio arrancou Maria do beliche e avançou contra a multidão, mantendo-a acima da água que subia rapidamente. Mas o alagamento era rápido demais. O navio, inclinado demais. A saída, distante demais.

Ele entendeu a verdade que não admite negociação: não chegariam aos botes.

Restavam minutos.

Em meio ao caos, Antonio alcançou uma escotilha arrebentada pela tempestade. Era estreita, pequena — mal cabia uma criança. Do outro lado, apenas o Atlântico negro e gelado. Ao longe, fachos de luz cortavam a escuridão: barcos de resgate se aproximavam.

Ele olhou para Maria, apavorada, chorando, agarrada ao seu pescoço.

E fez a escolha que definiria tudo.

Antonio empurrou a filha pela escotilha.

Maria gritou ao cair no mar. Antonio gritou de volta, a voz rasgando a tempestade:

“Nade, Maria! Nade em direção à luz! Os navios estão chegando! Nade!”

Ele sabia que ela tinha uma chance.
Sabia que ele não tinha.

O navio afundou sete minutos depois. Antonio Russo m0rreu af0gado junto com outros 117 passageiros da terceira classe, presos nos compartimentos inferiores. Seu c0rp0 nunca foi encontrado.

Maria foi resgatada quarenta e cinco minutos depois, com hipotermia severa, à beira da m0rte — mas viva. Tinha cinco anos, estava órfã, traumatizada, em um país estrangeiro, sem falar inglês.

Foi levada para um orfanato em Nova York. Durante anos, acreditou que o pai ainda pudesse estar vivo. Ninguém lhe explicou o que havia acontecido. A esperança virou confusão. A confusão virou dor.

Ela passou a acreditar no impensável: que o pai a havia abandonado. Que jogá-la no oceano significava que ele não a queria.

Viveu com essa ideia por vinte e cinco anos.

A verdade só veio quando tinha trinta. Um pesquisador, ao revisar registros do naufrágio de 1917, encontrou o nome de Antonio Russo entre os m0rtos. Só então Maria compreendeu: o pai havia se sacrificado para que ela vivesse.

Maria Russo viveu até 2004, falecendo aos 92 anos.

Em 1995, aos 83, contou sua história em uma entrevista:

“Achei que meu pai estava me m4tando. Não entendi que ele estava me salvando. Pensei, por anos, que ele tinha me jogado fora. A verdade é que ele me lançou em direção à vida.”

Maria se casou. Teve quatro filhos, nove netos e seis bisnetos — trinta e uma vidas que existiram porque um homem fez uma escolha impossível no escuro do Atlântico.

“Cada aniversário da minha vida existe porque meu pai me escolheu. Vejo o rosto dele naquela escotilha todas as noites. Ouço ele gritar ‘nade em direção à luz’. Estou nadando em direção à luz há setenta e oito anos. Espero tê-lo deixado orgulhoso.”

Suas últimas palavras sobre Antonio Russo foram simples:

“Obrigada, papai. Obrigada por me lançar em direção à vida. Ti amo.”

Alguns atos de amor atravessam gerações.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

parado o racismo é a ideologia dos idiotas

》Em 1935, em um escritório do Terceiro Reich, Adolf Hitler ofereceu um cargo diplomático a um dos militares mais famosos da Alemanha: Paul von Lettow Vorbeck.

Não era um general qualquer. Durante a Primeira Guerra Mundial, tinha liderado a campanha alemã na África Oriental com uma guerra de guerrilha tão eficaz que nunca foi derrotada. O seu exército, composto em grande parte por soldados africanos, foi o único contingente alemão que se rendeu invicto no final do conflito. No seu tempo, era uma lenda viva.

Hitler queria-o como embaixador no Reino Unido. Para o regime nazi, o seu prestígio internacional era um bem valioso.

Mas Lettow Vorbeck não partilhava a visão do novo poder alemão.

Tinha enviado tropas negras e tratado como iguais, protegendo-as do racismo de oficiais brancos e da discriminação institucional. Essa experiência marcou sua maneira de entender o mundo. Não simpatizava com o anti-semitismo, nem com a ideologia racial, nem com a teatralidade autoritária do nazismo.

Quando Hitler lhe fez a proposta, Lettow Vorbeck não se mostrou honesto. Levantou-se e rejeitou-a diretamente.

Décadas depois, nos anos 60, o historiador britânico Charles Miller entrevistou um antigo oficial da sua unidade. Perguntou-lhe se o boato era verdade.

“Von Lettow realmente disse a Hitler para ir para o inferno? ”

A resposta foi seca.

“Sim. Mas não o disse de forma educada. ”

Um homem que tinha sobrevivido a impérios, guerras e selvas africanas permitiu-se algo impensável para muitos em 1935: dizer não a Hitler, olhá-lo nos olhos e rejeitar sua oferta sem medo.

Não foi um gesto heróico no sentido épico. Não mudou o curso da história. Mas ficou como uma cena rara de dignidade pessoal numa época em que o silêncio e a obediência eram a norma.

Às vezes, a história também avança graças àqueles que se recusam a baixar a cabeça.